Saudação do Ministro de Estado das Relações Exteriores
O Brasil comemorará com grande alegria o centenário da imigração japonesa, em 2008.
Desde que desembarcaram do Kasato Maru no Porto de Santos, os imigrantes nipônicos integraram-se perfeitamente à sociedade brasileira, para cujo progresso e bem-estar têm prestado valiosa contribuição.
Hoje em sua quinta geração, seus descendentes são parte integrante do povo brasileiro, sem perder, entretanto, o sentimento de culto aos antepassados que distingue sua civilização milenar.
A exemplo do que ocorreu com outros povos estrangeiros, que para cá vieram compartilhar conosco seu destino, e fazer juntos nossa história, a presença japonesa no Brasil assumiu identidade própria.
Ao espírito criativo, empreendedor, alegre e harmonioso do brasileiro, uniu-se o sentido de disciplina, organização, minúcia e determinação do japonês.
Essa amálgama de valores constitui nosso traço diferenciador. Brasil e Japão estão unidos não apenas pelas identidades e complementaridades de seus sistemas políticos e econômicos, mas acima de tudo pela vertente humana, que constitui o principal patrimônio de nossa relação.
A decisão do Presidente Lula e do ex-Primeiro-Ministro Koizumi de celebrarem em 2008 o “Ano do Intercâmbio Brasil-Japão” assinalou o reconhecimento da necessidade de revitalizar e redimensionar as relações bilaterais, tanto em temas tradicionais da agenda, quanto em novos campos de atuação conjunta.
Para além das comemorações que, sem dúvida, espelham a importante vertente humana das relações bilaterais, 2008 simbolizará a retomada do dinamismo que prevaleceu nas relações bilaterais, na década de 1970. Os tempos são outros: mudou o mundo; mudamos nós. É hora, portanto, de atualizarmos a imagem que uns fazemos dos outros e explorarmos o potencial de novas formas de intercâmbio.
Partindo da vertente humana, observo que, desde a década de 1980, inverteu-se o fluxo migratório que prevaleceu no passado. Hoje, a comunidade brasileira no Japão, que alcança 313 mil pessoas, é nossa terceira maior no exterior, e a terceira maior de estrangeiros no Japão. Esse fluxo ocorreu de forma espontânea, sem nenhuma medida oficial de estímulo de nossa parte. Em sua maioria, essa comunidade é formada por descendentes dos primeiros imigrantes, que buscam hoje melhores condições de vida na terra de seus ancestrais.
Espero sinceramente que o simbolismo do centenário da imigração nos inspire a encontrar as soluções necessárias à adequada inserção da comunidade brasileira no Japão, a fim de que possa contar com oportunidades semelhantes àquelas que os imigrantes nipônicos encontraram no Brasil.
Os próximos cem anos nos oferecem também o momento histórico de legarmos às futuras gerações de brasileiros e japoneses um padrão de desenvolvimento sustentável, que priorize a utilização de recursos renováveis e permita, em conseqüência, conciliar a promoção do bem-estar de nossos povos com a preservação do meio-ambiente.
A meta do desenvolvimento sustentável e tantas outras poderá ser mais facilmente atingida se intensificarmos nossa cooperação no campo da ciência e tecnologia, tanto em fontes alternativas de energia, quanto em bio-genética, tecnologia da informação, nanotecnologia e tecnologia espacial.
Vejo também com grande apreço os primeiros sinas de revitalização nas relações econômico-comerciais, evidenciados por mudanças expressivas na composição da pauta comercial bilateral e por oportunidades ampliadas de investimentos nos dois sentidos.
No plano internacional, Brasil e Japão ingressam no século XXI sob a égide de regimes democráticos, que valorizam o respeito aos direitos humanos; buscam criar condições eqüitativas de progresso e bem-estar para o conjunto de suas populações; empenham-se em criar um clima de confiança e cooperação em seus respectivos entornos regionais; e anseiam por um mundo mais justo, próspero e estável.
É, portanto, com muita satisfação e otimismo quanto ao futuro de nossas relações bilaterais, que o Ministério das Relações Exteriores assumiu e levará adiante a coordenação dos trabalhos da Comissão Organizadora do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.









